Brasil em festas no ar !!!

outubro 3rd, 2013  |  Published in Na mídia

Está no ar mais um projeto do Território da Foto – Brasil em festas

Um ensaio sobre a cultura popular brasileira, através das fotografias de Gabriel Boieras e Luciana Cattani, que ilustram  website, um novo livro sobre o tema, além de um encarte distribuído nas escolas primárias de todo país.

Conheça mais sobre o projeto clicando aqui.

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“Nada melhor do que as tradições para retemperar a saúde de nossa alma brasileira.” – Mário de AndradeO Brasil é um espaço de metamorfoses culturais, sementes genuínas de suas crenças, cultura e religiosidade. Nossas raízes se encontram fundadas muito antes dos colonizadores portugueses e outros aventureiros europeus travarem seus primeiros contatos com os indígenas nativos, no sec. XVI. Época marcada também pela chegada do negro escravo em terras de línguas, comida, espíritos e Santos desconhecidos.

Dos índios herdamos o contato permanente com a natureza, respeito pelas águas, encanto pela fauna e flora, magia e ingenuidade primitivas. Danças, rituais com figuras mascaradas e instrumentos característicos.

Dos portugueses, toda a base cultural da península Ibérica, a energia do desbravador, a saudade do lar distante, a unidade geográfica do Brasil. Folguedos de cunho religioso.

Do negro, a resistência ao sofrimento, resignação, sensualidade, sons e danças. Rituais característicos com crenças religiosas e culto às divindades africanas .

Em quase todas as manifestações folclóricas por vários cantos do Brasil, podemos encontrar traços dessas 3 culturas. Gente que se misturou para dar origem à uma população onde predomina o caboclo acobreado, o negro aço e a criança galega de olhos claros. Alegria, religiosidade, sociabilidade, música, poesia e orações, são expressões do modo de vida de um povo cantante, dançante, religioso, com raízes em tradições, heranças sim do tempo colonial, mas misturadas e transformadas em suas próprias essências.

Esse imaginário de origens ou forma cultural bastarda, contém matrizes comuns que se cruzam e se sobrepoem a elementos redescobertos e reinventados a cada uma dessas manifestações. É assim que história e cultura se transformam ao mesmo tempo e permanecem nosso conteúdo de resistência.

A principal característica desse processo, está na capacidade do povo se diferenciar em ritmos, cores e figurinos, ao deixar um pouco de lado seus cotidianos para assumir personagens. O sentido, o significado, o simbolismo, vão muito além da poesia, da música, do lazer de brincar. É o ciclo de esperança em meio a dificuldades, como num milagre, ano após ano, da gente brasileira continuar exibindo sua fé, mantendo e recriando a própria cultura popular e preservando assim, suas raízes, sua alma, suas devoções.

As manifestações folclóricas dividem-se em cultos e folguedos. Os cultos estão relacionados às divindades, santos, milagres, promessas, oferendas, louvores. Os folguedos são brincadeiras, jogos, danças, representações com coreografias, jogos. Todos se apresentam em ciclos, natalino, junino, e carnavalesco, e também nas festas em homenagem ao Divino, ao Boi, Santos, Orixás e padroeiros locais. Sejam as procissões religiosas, como a Páscoa nas cidades históricas mineiras, o Círio de Nazaré em Belém do Pará, ou festas sacroprofanas como as Congadas em Paraty ou Festas Juninas em Caruaru, esse repertório é formado de celebrações e rituais em formas de espetáculos teatrais, nas ruas, em arenas, com poesia, fala improvisada, fantasias, personagens humanos e fantásticos, como no Maracatu de Pernambuco, Boi Bumbá do Maranhão ou de Parintins.

O progresso, a vida nas cidades grandes, muitas vezes nos impede de pensar essas manifestações como produtor de cultura. A arte popular é vista apenas como folclore ( o que na sua teoria, seria a tradução da alma de um povo e o que o diferencia dos outros ), e acaba nos fazendo perder de vista os tesouros ocultos na riqueza extraordinária deste Brasil mestiço e criativo. A tradição verdadeira não pode jamais ser confundida com repetição ou rotina. Nela não cultuamos os antepassados, mas sim um equilíbrio entre o passado e o presente para caminhos e possíveis trajetórias em direção ao futuro, não esquecendo nunca esse precioso legado.

Aqui, a fotografia passa a ser não só um documento, mas pede licença aos mestres, romeiros, brincantes, cavaleiros, celebrantes, caboclos, Santos, Orixás, bois, etc, para levar adiante suas histórias.

É infinita a quantidade de sonho humano bordada em cada gola de uma fantasia!

Luciana Cattani e Gabriel Boieras

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